o amor em tempos de whatsapp
O amor nunca teve tanta pressa e cólera.
Se o desentendimento foi instalado, coitado do amante. Este não ouve o som das ruas, as batidas do coração, não sente o frescor da noite e nem a labuta do dia. Seu pesar e único pensar é se e quando o ser amado irá mandar alguma mensagem direta ou indireta que de preferencia o faça crer em uma rápida solução-reconciliação.
Uma foto de um bebê, de um rio poluído, de um bêbado caindo- qualquer coisas é esperada; com exceção do silencio.
O celular é consultado inúmeras vezes e todas as redes sociais visitadas a cada segundo, ainda que isso possa custar seu emprego, não importa. O amor importa, espera ansioso e desesperado, crente e secretamente desconfiado - e está ali seguindo enciumado.
ah... e quando o silêncio se instala que desassossego...O que pensar?
O celular se torna acessório indispensável em qualquer lugar que se vá - qualquer mesmo. e quando o aparelho sinaliza que há uma mensagem, o coração da pulos de alegria para depois se inundar de cólera - enfim - não era a mensagem esperada.
Nesses momentos se odeia os grupos de família, de trabalho, a mãe, pai, filhos, o grupo de amigos, de estudo , de sindicatos e por fim o próprio celular - no atmo de lucidez, joga no mar, vaso sanitário, parede. para depois abrir o aparelho, secar, tentar resgatar o chip e esperar desesperadamente que volte a funcionar e quando ligar apareça a mensagem do amado.
O amante não esquece, contudo, que nesse mundo acelerado, nesse intervalo de lucidez, seu amado pode ter tentado ligar para reatar e ao encontrar o numero desligado, foi chorar e encontrar em outros braços um novo amante.
Nesse mundo de tantas sombras e incertezas, ansiedades e previsões, o trovadores me desculpem a ousadia, mas não há instrumento com maior capacidade de provocar uma e outra certeza, associações diversas, amor, ira - como o celular.
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